Cartoon Network!

Um ciclo que eu poderia muito bem levar daqui pro resto da vida, que é em todas as férias fazer uma maratonas dessas animações da minha infância. Era um post assim que previa pra 6 meses atrás, só que acabei me empolgando demais com Coragem (se bem que não falei nem metade do que iria falar ali hehe). E nem esse saiu como eu quis, acabou que as férias tão prestes a acabar, e entre os filmes e o resto do tempo que eu via alguma coisa, aproveitando o Cartum Z@um (o antigo Cartoon Cartoons) no Cartoon. Não pude focar mais em coisas que queria, como Johnny Bravo e Laboratório de Dexter – embora no final do post eu faça uma citação a Rude Removal, pois acho essencial -, mas enfim, fica pra depois. Também tô adiando o top, tentei fazer de novo, mas sinceramente não dá…

Antes dos rascunhos que fiz sobre alguns que revi, os outros: Johnny Bravo, Laboratório de Dexter, A Vaca e o Frango, Coragem, O Cão Covarde, As Trapalhadas de FlapjackChowder, Terríveis Aventuras de Billy e Mandy, Três Espiãs Demais, O Incrível Mundo de Gumball, Hora da Aventura e Du, Dudu e Edu.

KND – A Turma do Bairro | Codename: Kids Next Door
****1/2
Só um dia desses quando revia um episódio de KND que insinuava o sexo que notei que o Cartoon tem uma certa relação de anarquismo infantil. Lembro em Dexter e Du, Dudu e Edu, mas talvez a mais cara-de-pau esteja aqui mesmo. E a jogada é essa, colocar crianças versus os adultos. KND se não é em si o fruto da imaginação dos personagens de um clubinho de casa na árvore, é a materialização dos sonhos de qualquer criança, com um universo (literalmente) todo à disposição das maiores viagens aventurísticas infantis que já vi, com o adulto como estraga prazeres e inimigo, os ícones dessa idade (da simples gravata ao próprio sexo) sendo alvos de armas criadas com reciclagem de qualquer coisa e da própria interpretação inocente do desconhecido. É de uma criatividade encantadora, de uma imaginação e inocência superficialmente infantil e simultaneamente descarada. Uma mescla maluca, e finalmente boa.

MAD | idem
***
Uma boa de uma surpresa vindo de um programa que foge dos padrões visuais e ideológicos do Cartoon Network. Meio irregular, de um texto que ora impressionantemente bom ora decaindo nos problemas de desenvolvimento das séries americanas ditas “adultas” atuais, que é a zoação se cofundindo com humilhação, em poucas palavras. Quando bom, é de um senso de humor que sabe combinar com a zoação de tudo, sem um tom forçadamente ácido, mas sim um tom que se desenvolve com uma certa despretensão de querer mudar o mundo. Pois se concentra no que há de menos relevante, mesmo quando zoa as celebridades. E é aí que vai de encontro com o infantil, com o desfoco em temas tão irrelevantes na infância como a política, o caos social e bláblábláblá.

Apenas um Show | Regular Show
*****
É o melhor dessa nova fase. É o que tem algumas características de vanguarda, mas como Gumball e Hora da Aventura é meio que uma atualização delas. Primeiro é assumir a perda da noção de continuidade, da existência de uma série – o nome já entrega que o que existe em Apenas um Show é apenas um show, uma viagem de 10 minutos em uma história maluca, que reserva um mistério que sempre se revela algo inesperado, por mais que a fórmula se repita um milhão de vezes. E o bom disso também é a possibilidade de explorar, bem, todas as possibilidades, desde de um plot de suspense teen pós-Pânico ou de uma história cibernética, sempre com deslocamentos temporais dos retratados na trama, dos objetos ou dos próprios personagens. São os pequenos detalhes que se amontoam pra formar o que é. Felizmente não crê que a bizarrice não tá apenas em latas de spray falantes ou de minoveados (alusão a minotauro), mas tá em todo o conjunto de todo episódio.

Rude Removal
****
Finalmente saiu no Youtube – infelizmente com as falas picotadas pra driblar a censura – Rude Removal, que esperava desde 2008. E confesso que também é meio diferente que tudo que esperava. Toda esse silêncio em torno de Rude Removal acabou tornando uma lenda de episódio maldito sobre o que era. Nas comicons que passava (sempre nos Estados Unidos), era estritamente proibida a entrada de câmeras para impedir que vazasse, com boatos inclusive de fiscalização rigorosa. Isso acabou mitificando o episódio, dando uma áurea bem mais hardcore do que de fato ele é. O que não é um problema dele em si, mas maldita expectativa. (E é bom deixar claro que ser hardcore não é qualidade.) A princípio, se trata apenas de uma brincadeira da equipe. Mas dá pra notar que o há ali é o melhor exemplo da anarquia quase nunca exposta em Laboratório de Dexter, mas também de forma escrachada, e que felizmente se rete apenas ao seu próprio umbigo. Não almeja criticar nada, é apenas uma história onde cada passo que dá funciona como desculpa para a desobediência infantil e consequentemente palavrões. De uma forma ou de outra, é quase danteana a bagunça que eles formam dentro da casa.

Três Espiãs Demais | Totaly Spies!
***1/2
Muita coragem de botar isso aqui, por isso duas coisas: 1) no final do post, escondido 2) se serve pra limpar minha barra (além de 15 fotos da Monica Vitti logo abaixo): mais uma das séries que cresci vendo misteriosamente sem saber o motivo de estar assistindo aquilo, na época no Fox Kids/Jetix. Antes de tudo, Totally Spies! é uma série sobre espiãs, ou seja, recheado de aventura, objetos pirotécnicos que resolvem qualquer problema em um piscar de olhos, vilões mundialmente nocivos (e bem vestidos), enfim, todos os clichês que o gênero poderia aproveitar, e ainda bem que aproveita. Não há uma mera disposição deles, mas uma espécie de potencialização, de tornar a favor do andamento de cada episódio. Chega a ser ácida a sobreposição de uma breguice em outra, que dão um tom inesperado a cada episódio, em um visual altamente colorido, um certo experimentalismo no fluxo da imagem (o ritmo é o maior dos disfarçantes, não sendo necessários cortes abruptos, deixa a imagem respirar), que por vezes não alcança o que se pretende e chega a arruinar um episódio ou outro. Não à toa lembra o Charlie’s Angels de McG, com uma sutil exaltação corporal e fashionismo feminino. Uma das coisas mais viciantes/engraçadas/legais do mundo.

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