Blackout (Abel Ferrara, 1997)

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Ferrara extrai as vontades de seus personagens. Seja pela reprodução surtada da mente humana em Enigma do Poder ou pela aventura no Inferno em Vício Frenético, a situação de seus heróis, se é que podemos chamar assim, é praticamente a mesma: inseridos em um universo caótico, fechado, que gira em torno deles próprios. Mas enquanto há o sexo aparecendo como realização de uma fantasia consciente, há todo o resto ali para condená-los pelo resto do filme. Pois Ferrara tortura seus personagem, os pune.

Em Blackout não é diferente: após um mundo de dinheiro e sexo chega o julgamento: Matty cai aos pedaços e leva consigo todo o universo que o rodeia, em uma eternidade de degradação na busca da redenção e do auto-perdoamento. Mas isso nunca será possível:  pois tudo feito ainda está em suas memórias, o corroendo por dentro.

E foi no film noir que Blackout se encontrou pra contar tudo isso: o gênero é remodulado, qual combina a ele o seu estilo erótico. É o noir by Ferrara. Todos os ícones estão lá: a femme fatale, sempre na narrativa em off, condenando Matty, degradando sua mente; os flashbacks que abandonam a quebra de linearidade para assumir a forma de elipses; e claro, um protagonista de moral duvidosa e capacidade ilimitada, violento e em decomposição.

E se a busca de Matty por um refúgio se torna impossível após uma explosão de acontecimentos qual não consegue arcar, ele abandona a vida material e encara a morte como a única solução para tudo aquilo, e ela é sombria, exaustiva e dolorosa. Que filme!

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